Estou presa aos pneus da minha bicicleta, me salve 
e lhe como o cérebro.

Estou presa porque fui detida por essa tela tentando chegar até seu cérebro.
E se for teatro? 
Covardia.

Se assuma mas não suma.

Covardia é a coragem transformada em vergonha.

Olhos covardes só encontram um ponto fixo, longe da covardia cometida.

Covardia é ser grande, levantar e sair de fininho.

O ponto mais covarde da covardia é o seu ar cordial.

Logo,
Homem,
covardia não.




    • Renata Azzi 
      e quão bonito é, sentir o renascimento.
      Você que vivo está, conte suas histórias e invente estórias a si mesmo, perceberá o impacto de poder ser capaz de qualquer coisa fazer. Quero por muito ainda viver e poder gritar a ventos e moinhos o quão especial me sinto por carregar cabeça e corpo, até quando a mente pede solidão. Vida é feita de ciclos e de tudo o mais que você permite que fique no seu consciente. Borboletiamos e fantasiamos por aí, pra que sempre e sempre continue a existirmos, em qualquer plano ou frequência. Ah, vivo, viva-ser!


-Embora? Pra onde? Há ainda mais mistérios?
-Ô se há.

Não pedi e veio.
Não pedi e foi.

Como foi feio, tão sem cheio de graça,
chegaste e pegaste um pedaço de mim
e sem licença foi retirando pedaços de luz.

Agora moço, se me diz que choveu por esses dias
concordo, presto atenção no céu.
Mas se uso roupa, sapato e mochila
guarda-chuva eu não descarto,
e nem a chuva.
Deixaste em mim uma lama,
que logo vira barro, lama seca.

Somos agora, frutos de árvores diferentes comidos pelo mesmo bicho.

Ofereço-lhe água e sinceridade.

Deixou de ser Nome Sobrenome
para ser vento e sol sem nome
A morte
que ainda não veio
dói mais
do que a que veio.
A morte que é esgotamento,
a que é traição de pensamento
morte crua
na pele, carne e osso. Que dói!
Hoje a casa é bonita
têm música
família, canções alegres
batida
dor e até bate boca
de fazer chorar.
Mas continua vivo.

Têm coisas que dói mais que corte profundo
mais do que desentendimento desnecessário
tem coisas
que só voltando a ser o que eram.

Via vertigens,
e mal sabia o que era.
Via virgens
e bem sabia que era.
Via as vias
e continuava intacta.

Criava água,
mantinha-se em casa
enchia o peito
de coração fazia a prece
ao sol
pedia proteção
cheiro e poema.

Era mais que um dilema,
essa falta de esquema.
Sentia falta de Jurema,
mas quem era a tal
que de rima
nem a parte de cima.
Era ela mesma, Jurema.

Na varanda, flôr de liz
cachoeira
sim
de ti, uma aprendiz.

Não tinha pronome que coubesse
nem sobrenome que pusesse.
Era de nome eu estou
de sobrenome a esperar.

Vida bonita
que acompanha a revivência
peço que cedo não vá embora
que a dor se cale
e não tardar
à vida volte.
Tudo começou onde já havia começado..
Resolveu não olhar mais para trás, nem mesmo quando estivesse sentada no quintal olhando o céu estrelado a sua frente, sabendo que no céu atrás também havia estrelas.
O seu começo foi em 1993, e quando leu Mario Quintana também quis que em sua lápide fosse desenhada a cruz na frente da estrela.
"Boa Tarde Senhorita, fique a vontade para deitar ou se sentar, o aparelho de neurotron será colocado em 15min. Atrás de você fica um monitor com números de 1 a 9 para ajustar a frequência. Recomendamos para a primeira sessão que coloque no 3, Basta fechar os olhos e relaxar! Boa Regressão!"
-
A paisagem era agradável: cachoeira, matagal, uma escada para uma pedra alta e o barulho da água correndo e dos passarinhos cantando.
Segurava uma vassoura nas mãos e a cada degrau que subia, um problema varria. Quando chegou no topo da pedra, os degraus estavam limpos, a paisagem continuava agradável, mas o barulho parou. O som que escutava era de seu silêncio interior.
Enquanto seus neurônios pulsavam, uma música de fundo começou e encontrou um tapete vermelho. Esticou-o na escada e um corrimão nela colocou.
Orgulhosamente, quando descia a escada, levantou as mãos e de bunda por ela escorregou.
Deu risadas. Risadas por simplesmente não ter utilizado o corrimão. Correu...
Quando mais corria, mais o campo se abria, parou frente a um abismo, olhou para baixo: um campo de girassol. 
Não pensou que era um passarinho, mas mesmo assim voou.
Foi um tombo confortavelmente amortecedor.
Corria... Corria.. Corria...
Correu tanto, que só parou quando já estava bem longe do aparelho de neurotron.